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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Última sexta do mês é dia de... BICICLETADA
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Carnaval 2009 V – As marcas do Carnaval
Esse é o discurso que sempre ouvi sobre o Parque Carlos Botelho, mas nunca tinha tido a oportunidade de ver de perto se era verdade. Na segunda-feira eu vi e, realmente, o Parque é lindo! É impressionante a harmonia do lugar. O som da água, o cantar dos pássaros, o cheiro do mato, a natureza muito viva... O cenário só deixa de ser perfeito quando carros cruzam a estrada-parque numa velocidade absurda só para chamar a atenção.
Mas, diferente dos donos desses carros, nós que estávamos em Sorocaba resolvemos fazer uma viagem em verdadeira harmonia com o meio ambiente. Fomos ao Carlos Botelho pedalando – nada de barulhos de motor e fumaças de escapamento, apenas o silêncio do pedal, o cheiro de natureza misturado ao cheirinho dos vinhedos de São Miguel Arcanjo e nada de poluição. Tá bom, tá bom... Não somos tão ecologicamente corretos e “ecochatos” assim. Pegamos um ônibus até São Miguel Arcanjo, onde o André Pasqualini e seu primo Juliano já nos aguardavam na rodoviária.
Bikes a postos, seguimos pedalando até o Parque. 25 km de pedaladas numa estrada linda, que te faz fugir do tempo e do espaço e se sentir numa outra época, passando por pequenos vilarejos e muitas propriedades rurais, carregadas de uvas em seus vinhedos, que fizeram o passeio ter um cheirinho especial.
No Parque, com fome, fizemos um piquenique em cima do bagageiro do Toshio. Foi o combustível para seguirmos em frente numa pequena trilha em meio a mata, que nos levou até uma prainha fofa, com água gelada e cristalina. Só não aproveitei mais por causa dos curativos, que me impediram de molhar o rosto. Tudo bem, tudo bem... já tenho um motivo para voltar.
Aproveitamos até o último segundo e voltamos pedalando num ritmo pesado, para não perdermos o último ônibus para Sorocaba. Fomos tão rápidos que até deu tempo de tomar um sorvetinho são-miguelense antes da partida.
Chegando em Sorocaba, hora de despedida. Segui para a casa dos meus pais e o pessoal retornou para São Paulo.
Era hora de dar uma folga para o meu joelho, descansar, ficar alguns dias sem pedalar e guardar as lembranças deste carnaval, que sem dúvida foi um dos melhores. O acidente na Castelo foi um mero detalhe diante de momentos tão gostosos e lembranças tão boas que vão deixar as verdadeiras marcas deste feriados.
Algumas marcas do Carnaval:
- 150 km pedalados
- 60 km/h de velocidade máxima
- 1 pneu furado (que eu consegui trocar sozinha!!!!)
- amizades construídas (e outras fortalecidas)
- a casa cheia de gente (como há muito tempo não ficava)
- a consolidação do meu pé frio (o Juventus perdeu só porque eu estava lá no estádio, tenho certeza)
- 3 pontos no queixo
- 1 dente quebrado
- 1 joelho ralado
- alguns hematomas
... e o melhor:
Aprendi a pedalar sem as mão no guidão
É MARAVILHOSO!!!
ALGUMAS IMAGENS
As bikes no busão
A caminho...
Em São Miguel Arcanjo
Pé na estrada
Pé na terra
Pé na trilha...
Viva a natureza!
Mais fotos: http://picasaweb.google.com.br/EvelynAraripe/SaoMiguelNoCarnaval
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Carnaval 2009 IV - Campanha acidente
Na hora levei um baita susto. Pensei: "Meus Deus, o que será que aconteceu ali?!". Já imaginei que o motorista poderia ter morrido, que beber no carnaval e sair dirigindo é uma insanidade... Mas, ao me aproximar... ufa... que alívio... era apenas uma campanha da prefeitura alertando, exatamente, sobre o risco de conduzir um veiculo motorizado após a ingestão de bebida alcóolica.
Carnaval 2009 III – Pedalando numa cicloponte
- A maior parte das ciclovias foram construídas em áreas ociosas, antes tomadas por cimentos ou jardins;
- As vias vermelhas foram construídas dentro de um contexto chamado “Pedala Sorocaba”, que traçou um mapa cicloviário e lançou recentemente um plano de mobilidade urbana por bicicleta;
- Aos domingos, entre as 8h e às 14h, um trecho da marginal – uma das principais vias de trânsito de carros na cidade – fica fechado para os carros e aberto, somente, para ciclistas e pedestres;
- A cidade tem paraciclos instalados em todos os cantos;
- A prefeitura comprou briga com os motoristas ao reduzir pela meta de o espaço para os carros na Avenida Paes de Linhares, onde fez uma extensa ciclofaixa;
- A cidade não tinha tradição de bicicleta como meio de transporte. Ao contrário de Santos e Ubatuba, Sorocaba tem ladeiras pra caramba e as pessoas não tinham o habito de pedalar, agora é possível ver muita gente pedalando, muitas famílias passeando com a bike, muita molecada pedalando em grupo até a escola e muita gente pedalando pelas ciclovias rumo ao trabalho – empresas começaram a instalar paraciclos e as bicicletarias mais que dobraram as vendas de bicicletas.
Mas, apesar de todos estes pontos que considero positivos, uma das coisas que eu gosto muito nas ciclovias sorocabanas é a inteligência e estética. É possível fazer um passeio muito agradável pedalando às margens do Rio Sorocaba. Além do Rio, do jardim e da ciclovia, a gente passa por um ciclotúnel em baixo dos trilhos do trem e, agora, por uma cicloponte.
Quando começaram a construí-la, no ano passado, já achei a idéia sensacional. Em vez dos ciclistas terem que dar uma baita volta pela marginal, fazer um retorno e pegar uma ponte congestionada para entrar na Avenida São Paulo, o que foi que fizeram? Uma cicloponte em baixo da ponte congestionada. Ou seja, o ciclista que quer ter acesso à Av. São Paulo, ou quer seguir desta Avenida rumo à marginal, não precisa mais encarar a ponte e o trânsito maluco que costuma formar em cima e ao redor dela. Basta seguir por baixo e atravessar uma ponte feita para as bicicletas, com uma sombrinha agradável e o barulhinho do Rio.
Mais um acesso inteligente, mais uma opção para o passeio agradável, mais um incentivo para se locomover por bicicleta na cidade.
Dá orgulho ser sorocabana – mesmo tendo nascido em São Paulo!
A cicloponte, em baixo da ponte, cruzando a ciclovia
... mais ao fundo, para quem vem pela ciclovia...
A ciclovia, a cicloponte... beirando a marginal e o Rio Sorocaba
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Carnaval 2009 II – O time do coração
São coisas do país do futebol.
Nesse último sábado, alguns ciclistas fizeram essa prova de amor ao pedalar 100 km para ver o time do coração jogar: o Juventus!
Parece piada. E, claro, há um certo humor para tudo isso. Mas, há algum tempo, um pessoal da Bicicletada paulistana sugeriu que fosse eleito o “time do coração da Bicicletada”. A idéia era acompanhar os jogos desse time indo de bike ao estádio e demonstrando todo o carinho dos ciclistas pelo time. Mas, eis o dilema: qual time eleger?! Claro que apareceu um punhado de corintianos, são paulinos, palmeirenses, santistas etc e tal com mil justificativas para que o seu time fosse o time amado e querido dos ciclistas.
Aqui entre nós, eu sou corintiana e só fui aos jogos do Timão quando ele estava na segunda divisão do Brasileirão. Acho as torcidas da primeira divisão muito agressivas e eu nunca teria coragem de amarrar a minha magrela num estádio em um dia de jogo. E todos, por mais apaixonados pelo seu time que sejam, hão de convir que isso ainda não é seguro mesmo.
Por isso, após sugestão do nosso amigo juventino, nascido e criado na Mooca, o Toshio, fomos convencidos de que o Juventus tinha o perfil de time que procurávamos. É um time “da gema”. Que assim como o Toshio, é nascido e criado no bairro paulistano da Mooca e que, hoje, disputa a segunda divisão do campeonato paulista. A torcida é tranqüila, do tipo “família” e não tem rixa com ninguém. O pessoal no estádio, lá na Rua Javari, até disponibilizou um cantinho para as magrelas esperarem, enquanto os seus donos torcem pelo time de uniforme grená.
Mesmo sem ver vitórias, quem foi nas Bicicletadas Juventinas na Rua Javari já adotou o Juventus como time de coração. Por isso, ela cresceu e virou intermunicipal. Foram 100 km pedalados, o episódio do carro no meio do caminho e uma derrota por 2 x 0 contra o azulão São Bento.
Vale destacar que, nesse dia, a torcida juventina era composta por 10 torcedores: os cinco ciclistas, meu pai, minha irmãzinha e um casal de senhores acompanhados da filha que foram de São Paulo até Sorocaba só para ver o Juventus perder para o time sorocabano. Como estava ameaçando chover e a arquibancada dos visitantes é descoberta, assistimos ao jogo na arquibancada coberta da torcida do Bentão. Ficamos ali, no meio dos torcedores sorocabanos torcendo pelo Juventus.
Viva a paz entre as torcidas!
A torcida juventina (Foto: Jú Reis)
Mais fotos: http://picasaweb.google.com.br/EvelynAraripe/BicicletadaJuventinaEmSorocaba
Carnaval 2009 I – No meio do caminho tinha um carro...
Tudo certo, um pequeno atraso, 7h45 começamos a girar o pedal sentido Sorocaba. Éramos em cinco ciclistas e o dia estava lindo, ensolarado, muito trânsito na marginal, que fazia nos enchermos de orgulho por andarmos de bicicleta – não ficamos parados, não pagamos pedágio, fazemos exercícios, somos felizes!
Para mim o mais gostoso dessa viagem era que, pela primeira vez, me sentia muito segura para encarar a estrada pedalando. Não sei se isso é bom, mas como já tinha experimentado a Castelo Branco duas vezes, ido até Santos, até Ubatuba... dessa vez sabia que agüentaria até o final. Mas... no meio do caminho tinha um carro!
Quando você pedala em uma estrada, você sente coisas impossíveis de perceber dentro de um carro ou um ônibus. Por exemplo, vocês já repararam que após o km 53 da Castelo, sentido interior, há uma subida longa de 11 km de extensão? Pois é, quem já pedalou ali, sabe bem o que estou falando. A subida não é muito íngreme, mas é extensa, o que a torna muito cansativa. São 11 km girando o pedal sem descanso.
Nas vezes anteriores sofri para encarar esta subidona. No começo parece tranqüilo, mas no meio dela o cansaço e o suor intenso aparece. Mas, dessa vez eu estava muito bem. Entrei na subida pedalando na última marcha. A mais pesada. Achei uma cadência legal e segui, girando, girando, girando, olhando pra baixo, sentido a brisa, observando a minha sombra e a da bike que corriam junto ao asfalto... estava perfeito, uma sensação deliciosa de ter encontrado o pedalar ideal. Continuo girando, girando, girando a uns 15 ou 20 km/h. O pessoal vinha logo atrás e... de repente, do nada, um carro parado no acostamento.
Não vi nada, não deu tempo. Presa ao êxtase da pedalada gostosa, não vi o Gol parado no acostamento. Fui com tudo na traseira do carro. O motorista e a esposa dele sem entender nada, eu atordoada sem entender menos ainda.
Só me lembro do barulhão que fez e eu sentada encostada no carro. Os amigos chegando pra socorrer e tentando entender o que tinha acontecido. Até agora não sei o que aconteceu. Só sei que consolidei a constatação de que sou uma pessoa um tanto quanto distraída.
Há as versões das testemunhas oculares (Toshio), que disseram que a bike empinou as rodas para trás com a batida e que eu bati o queixo e a cabeça no vidro do carro até cair para a esquerda – eu jurava que tinha caído para a direita. Resultado: passeio de ambulância até a Santa Casa de São Roque – toda imobilizada naquelas macas de madeira -, três ponto no queixo, joelho inchado e enfaixado, um dente quebrado, injeção no bumbum, garfo, bagageiro e roda torta da bike, câmbio zoado e a luzinha do meu capacete quebrada! Que pena, sempre achei aquela luz no capacete uma mão na roda pra pedalar a noite!
Mas, não pensem que isso acabou com o meu carnaval ciclístico. Com a ajuda a da Jú Reis, companheira da viagem, que encarou como uma guerreira sua primeira cicloviagem e se oficializou a nossa enfermeira oficial, no domingo já estava bem, um tanto quanto debilitada, mas pronta para fazer aquilo que tanto gosto: pedalar!
Passamos o domingo pedalando pelas ciclovias sorocabanas. Com curativo no queixo e faixa no joelho consegui pedalar uns 30 km, carregar minha irmãzinha no bagageiro e levar o pessoal para comer a coxinha da Real e conhecer um pouquinho da cidade onde aprendi a pedalar.
Mais uma vez, sentir orgulho de Sorocaba e fiquei feliz pelo acidente não ter prejudicado, de certa forma, o carnaval pedalante. Ah, e me senti mais orgulhosa ainda dos 4 guerreiros que continuaram a viagem e chegaram até Sorocaba firmes e fortes com a sua bicicleta e a disposição de pedalar mais um pouco por aí.
Depois do acidente... já pedalando pelas ruas de Sorocaba (Foto: Jú Reis)
Obs: Com a minha super inteligência para lidar com máquinas, ainda não consegui baixar as minhas fotos. Assim que conseguir, incluio aqui no blog!
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Eu quero ir pra escola de bicicleta
Já nem sei dizer quantas vezes passei de bicicleta em algum lugar e ouvi alguma criança comentando coisas como: “olha mãe, uma bicicleta!”. Eles amam bicicleta e, às vezes, acho que quando crescemos e optamos por continuar pedalando é como se optássemos por continuar sendo um pouco criança.
Então, se um pai ou uma mãe perguntasse para o seu filho “com que meio de transporte você quer ir para a escola?”, acredito que a maioria dos pequeninos gostaria de ir de bicicleta. Mas, que criança tem essa opção? Geralmente, ela já é predeterminada: carro, van, ônibus, a pé... Acho que é muito raro os pais sugerirem “filho, quer ir para a escola pedalando?” ou “quer que eu te leve de bicicleta?”.
Essa opção ainda é rara, mas não é impossível. Hoje, o colégio Véritas, em Sorocaba, provou isto ao lançar o projeto “Caminho para a Escola”. Agora, os alunos têm a opção de ir para a escola pedalando, acompanhado por monitores que fazem um itinerário – como as vans – e vão encontrando com os alunos e suas bikes pelo caminho. Na hora de ir embora é a mesma coisa: um itinerário, um monitor e a crianças com suas magrelas percorrendo o trajeto até a porta de casa. Para os pais mais corujas e superprotetores é possível acompanhar o filhote. Pedalando, claro!
Achei a iniciativa o máximo e super exemplar.
Ano passado, quando fomos pedalando até Sorocaba, o Véritas nos ofereceu uma hospedagem digna de hotel 5 estrelas. Foi um final de semana delicioso, onde pudemos ver um pouquinho do trabalho lindo que eles fazem com as crianças sobre a bicicleta na cidade. Pudemos ver redações e desenhos das crianças com o tema “a bicicleta na minha cidade”. Dá até calafrios lembrar as coisas lindas que as crianças escreviam. Elas amam a bicicleta!
Na ocasião, o André Pasqualini comentou com a diretora de uma ação em Bogotá em que as crianças vão de bike para a escola seguindo os monitores. Ela gostou da idéia e foi atrás. Hoje, com a presença do cônsul da Colômbia e tudo, o “Caminho para a Escola” foi inaugurado.
Hoje o Véritas mostrou que outro modo de enxergar a cidade e como se locomover nela é possível, e isso não exige grandes esforços, mas força de vontade.
Registro aqui os meus parabéns e a esperança de que, no futuro, o Véritas não seja a exceção, mas o grande exemplo que deu início à regra.
Obs: Como não pude acompanhar o lançamento do “Caminho para a Escola”, ainda não tenho fotos. Mas, vou arranjar algumas e postar aqui depois.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Sábado sem samba, batismo de bicicletas e mais um piquenique no parque
Lilica, Fininha, Queridona, Kiabin, Emília... o que tudo isso parece?! Pode lembrar nome de animais de estimação, de personagens de desenho animado, apelido de amigos ou, simplesmente, o nome de algumas bicicletas.
Na manhã deste sábado a Praça do Ciclista foi palco de um batizado comunitário de magrelas. Com uma garrafa de Gatorade “benta”, oito bicicletas ganharam nomes e padrinhos, que fazem delas únicas no mundo inteiro! A Serafina – minha bicicleta que comprei em dezembro – também estava lá e teve o seu nome “oficializado”. A idéia, apesar de engraçada, é uma maneira de mostrar como a bicicleta começa a fazer parte da nossa vida e, de certa forma, ganha um aspecto humano. Eu por exemplo, considero a Serafina uma baita companheira. Mesmo assim, brigamos de vez em quando - ela é muito temperamental!
Como todo batizado termina com almoço, festa ou alguma coisa parecida, o nosso se estendeu para o Parque da Juventude, na Zona Norte de São Paulo, onde rolou mais um piquenique ciclístico no local que, até 2002, abrigava o maior presídio do país: o Carandiru. No lugar de pavilhões de detentos e histórias tristes, hoje há um parque muito arborizado, cheio de opções para a prática de esportes e pessoas alegres.
Conhecer lugares como este faz pensar sobre um novo uso para os lugares, então, degradados. Costumo chamar isso de reciclagem de espaços. E foi isso que aconteceu no Parque da Juventude. Agora, já conheço mais uma área verde da cidade a bordo da minha bicicleta – dessa vez com direito a bicicletário, mas nem precisamos usá-lo: No Parque da Juventude o trânsito de bicicletas é permitido.
E assim foi mais um dia explorando a cidade: Começou frustrado, com um passeio ciclístico da escola da samba Vai-Vai que não aconteceu, pois os integrantes da escola ensaiaram até tarde e esqueceram de acordar para pedalar, seguido de um batizado que, a princípio, era para duas bikes e acabou rendendo oito batismos, e um piquenique tranqüilo, em um lugar lindo, com pessoas felizes e, dessa vez, com comida na medida e menos resíduos na lixeira da reciclagem.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
A bicicleta, a roupa e o salto alto
Com o tempo - aliás, em bem pouco tempo - percebi que não suava mais no trajeto casa-trabalho-casa. Também, são 4 km e muitas retas e descidas. O corpo foi ficando condicionado ao exercício diário e parou de transpirar - ou de transpirar muito, pelo menos! Aí percebi que não era mais necessário tanto peso na mochila.
Mais um tempinho passou e também percebi que algumas roupas que dizem ser para ciclistas não são confortáveis para quem usa a bicicleta no dia-a-dia como meio de transporte. Quer dizer, existe uma baita diferença entre aqueles que usam a bike para praticar esportes e os que usam para se locomover pela cidade. E essa diferença é muito nítida pelo vestuário. Não aguentava mais o troca-troca de roupa. Uma roupa para pedalar, outra roupa para trabalhar, depois a roupa para pedalar novamente, até chegar em outro lugar e não querer ficar andando com aquelas roupas de lycra...
Em agosto teve a Bicicletada dos Executivos. A idéia era exatamente mostrar que a bicicleta também pode ser o meio de transporte daqueles que trabalham com trajes "sociais". E coincidentemente, no dia dessa Bicicletada, tive que trabalhar com estas vestes sociais. Fui de calça social, camisa, terninho e um salto alto fenomenal, que nem sei como consigo parar em cima daquilo. Agora, sei menos ainda como consegui pedalar com aquele trambolho (!).
Quem me conhece sabe que nunca fui adepta dos trajes ajeitados. Sempre gostei de bermudas, vestidinhos, saias, muitas saias, e as rasteirinhas! De repente, subir a Av. Rebouças, de calça social, terninho e um salto de quase 10 cm... foi inacreditável.
Depois daquele dia, desencanei total. Decretei que mochila cheia de parafernálias perfurmadas e roupas para trabalhar nunca mais fariam parte da minha vida! Hoje pedalo de vestido, de saia (lógico que com um shorts por baixo!), de calça jeans, calça social, sandália, rasteirinha, salto alto... Nada disso é problema para mim! E melhor: chego no trabalho, vou direto para minha sala e não perco tempo trocando de roupa.
O mais engraçado é que sinto que, desde que tomei esta decisão, passei a ser muito mais "enxergada" no trânsito. Chama a atenção. Os motoristas já não enxergam os ciclistas direito e, quando enxergam, estão acostumados com com aquelas roupinhas apertadinhas, que fazem o ciclista parecer um anúncio de marcas esportivas ambulante. Agora, quando eles vem uma pessoa em cima de uma bike vestida de uma maneira normal, para eles aquilo deve ser a coisa mais anormal do mundo!
Quem anda de carro, ônibus, metrô, trem, a pé, qualquer opção, não sai de casa com uma roupa para "andar de carro", uma roupa para "andar de metrô"... as pesssoas saem com as roupas comum do dia-a-dia. Por que para quem usa a bike como meio de transporte tem que ser diferente?! É uma questão de costume. Mas, eu garanto, é fácil se acostumar.
Claro que tem alguns imprevistos. Como, por exemplo, o dia que enrosquei o salto da sandália no pedal e cai em plena Rebouças movimentada. Acontece!!! É como estar andando e tropeçar por aí! E esse também é um jeitinho de mostrar que andar de bicicleta pode ser uma coisa acessível e possível para onde você quiser ir, a qualquer hora do dia.
Mas, atenção: capacete e luva são essenciais para quem pedala, independente da roupa. Aliás, acho um charme uma roupinha social, um sapato e um capacete de ciclismo! Tudo a ver uma coisa com a outra!
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
O Jardim Botânico não tem bicicletário... Mas isso não estragou nosso domingo
O passeio foi lindo desde o começo: Manhã com muito sol, pedalada tranqüila até o parque – com direito a muitas paradas – e um piquenique farto, com brincadeira de roda e muitas comidinhas caseiras e deliciosas que fizeram todos os bolos Pullman perderem a graça. Para fazer a digestão, um passeio por uma trilha “imensa” – 720 m ida e volta – em meio a uma mata fechada e bem conservada e uns bugios que faziam uma sonoplastia de “Castelo dos Horrores”!
Na hora de ir embora, o sol foi substituído por um baita toró. A chuva serviu para ficarmos mais um pouquinho em meio a todo aquele verde e depois encarar um retorno numa garoinha refrescante. Mas, no meio do caminho a garoinha acabou virando outra chuvona. Como não existe chuva para quem está indo pra casa... O jeito foi pedalar, curtir a água que caia nas costas e chegar em casa encharcada pela chuva e pela felicidade de um domingo tão gostoso, na companhia de pessoas tão queridas e de uma pedalada agradável.
Agora já sei que tanto pedalar ao centenário Horto Florestal quanto ao Jardim Botânico é a garantia de um dia muito gratificante. Faça chuva ou faça sol. A diferença é que o Horto já tem um bicicletário para guardarmos as nossas magrelas, enquanto o Botânico nunca foi pensado para receber um ciclista por lá. Não tinha bicicletário e ninguém queria “se responsabilizar pela segurança das bicicletas”. O negócio foi contar com a ajuda de algumas árvores simpáticas no meio do estacionamento dos carros, que cederam os seus troncos para prendermos as bikes.
O Horto levou mais de 100 anos para ter um bicicletário. Quanto tempo será que o Botânico vai levar?! Ainda bem que não deixamos o nosso domingo ser prejudicado por causa desse “pequeno” detalhe.
Mas, o Poder Público estava lá e registrou tudinho
O Jardim Botânico...
... invadido por 28 ciclistas
Piquenique farto e muitos dotes culinários revelados
Roda roda roda... mas ninguém mais lembra uma cantiga de roda (!)
Pois é... pedalar pode amassar o seu pãozinho!
Nós levamos o lixo para a reciclagem - mas da próxima vez dava para reduzir tudo isso, né?!
Hora da digestão... a caminho da "imensa" trilha - 720 m ida e volta
Na trilha: Os bugios faziam um barulho amedrontador
28 carros a menos!!!!
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Casamentos e bicicletas
Daí em diante, acho que sempre fomos muito diferentes. Na infância, o Thiago era mais agitado e barulhento, enquanto eu era mais sossegada - mas, já era bem briguenta! Depois, não sei em que momento da vida, nós invertemos: ele virou o garoto mais sossegado do mundo, calmo, tranquilo, que leva uma hora para comer um prato de arroz com feijão (!) e eu fiquei elétrica e hiperativa. E talvez esta diferenças de personalidade nos fizeram travar guerras e mais guerras quando crianças.
Com o tempo, crescemos e viramos amigos. Cada um do seu jeitinho, mas sempre considerei o Thiago um dos meus grandes amigos, daqueles que eu conto meus segredinhos e aventuras e sei que ele vai me escutar, dar conselhos, ou simplesmente, ficar em silêncio.
Há uns 4 anos ele apareceu com uma garota chamada Lis, sua primeira namorada. Ela era tão doce e sossegada quanto ele e, não sei bem porquê, nunca tivemos dúvida de que ele acabaria se casando com ela. Mas, pensar em casamento com 20 anos de idade parece um tanto quanto prematuro nos dias de hoje. Vai saber!
Aos poucos, o Thiago e a Lis viraram uma pessoa só. Não conseguia mais pensar em um sem associar ao outro. Por isso, a amizade que construí com o Thi, automaticamente, virou a amizade com a Lis. Acho que até quando eu ficava um pouco brava com um, sem querer, ficava brava com o outro. E sempre que senti muitas saudades dele, já estava morrendo de saudades dela.
Hoje, enfim, eles se casaram! Bem do jeitinho deles. Tudo muito simples. Família reunida, cerimônia bem rápida no cartório e almoço mineiro com direito a cochilo e queijo com goiabada! No fim, foi tudo tão natural, que parecia que eles já eram casados todo esse tempo.
Meu pai costuma brincar que o Thiago resolveu casar enquanto eu comprei uma bicicleta. A brincadeira faz todo o sentido e a questão "casar ou comprar uma bicicleta?" não é problema lá em casa: um casou e a outra comprou a bicicleta! E o Thi e a Lis são duas pessoas que me incentivaram muito a seguir nas minhas aventuras com a bicicleta e que aguentam com paciência ficar ouvindo eu falar de bicicletas o tempo todo!
Mas, ainda há um probleminha: o que é que o Thiago vai fazer com a bicicleta que ele ganhou no aniversário de 11 anos dele e que está encostada lá em Sorocaba? Talvez ele, e nem ninguém, saibam: mas, alguma vezes peguei a bicicleta dele para dar umas voltinhas, só para ela não se sentir solitária e abandonada. Agora, que o Thi tem a casa dele com a Lis fico me perguntando se ele vai levar a bike também.
Se ele falar que não, será que eu posso ficar com ela pra mim?! Já faz um tempo que estou querendo dar um trato nas bicicletas dos aniversários de 11 anos.
Enfim, no fundo no fundo, o que eu mais quero mesmo, é que o Thi e a Lis sejam muito felizes, tenham muitos filhos, cachorros e bicicletas e vejam que esse negócio de casamentos e bicicletas tem tudo a ver uma coisa com a outra!
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Pedal Cultural

Encontrar uma Phillips já é raro, igual a essa então...
Quase que eu levo essa Berlineta para casa
Mas também me apaixonei por essa Monareta
Uma bike Prosdócimo... acho que nunca tinha visto uma antes
Você pagaria R$ 80 mil nessa Vincini?! O seo Renato pagaria!