quarta-feira, 14 de outubro de 2009

De volta pra casa


A bandeira lá no alto parece ser para lembrar: "existe um país te esperando".

Mal chegamos em Copenhagen e ela já estava lá no alto. Ela, a bandeira do Brasil, parecia nos dar as boas vindas ao mesmo tempo em que parecia estar hasteada só para atiçar as saudades de casa. Perguntamos para o nosso amigo que nos hospedou se ele sabia o significado da bandeira brasileira tão grande hasteada em uma região bem central da capital dinamarquesa, mas ele nem havia reparado que ela estava lá. Seria uma miragem?

No último dia um funcionário da prefeitura - Rathaus em dinamarquês - nos explicou: na Dinamarca existe uma tradição de hastear em frente ao imóvel a bandeira do país de quem está hospedado naquele lugar. Quem seria o ilustre brasileiro hospedado ali?

Mais tarde, já em Munique, desconfiamos que poderia ser o presidente Lula e o "rei" Pelé. Já que na mesma época os dois já circulavam pelas bandas nórdicas à espera de um anúncio da cidade sede das Olimpíadas de 2016 - aliás, foi em Munique mesmo, ao receber os "Parabéns", que descobrimos que o Rio de Janeiro havia sido a cidade escolhida para sediar a tal Olimpíada.

Mas a verdade é essa: por todos os lugares onde passávamos alguma coisa nos fazia lembrar que havia um Brasil nos esperando. Um Brasil que não é organizado como os países em que passamos, onde as pessoas não são tão educadas e inteligentes como as deles, onde os motoristas não aguardam bem devagarinho atrás de você em sua bicicleta até surgir a oportunidade dele te ultrapassar a 3 metros e meio de distância... Mas, um Brasil onde apesar dos pesares as pessoas sorriem, onde há muito calor ambiente e humano, onde há muitas frutas, legumes e verduras a preços camaradas - porque falar "preço de banana" na Europa é o mesmo que falar preço de caviar com Champagne no Brasil - e onde há samba, arroz e feijão.

Calor. É calor que falta por lá. Calor humano, calor de vida e alegria. Eles são quase perfeitos, mas fiquei me perguntando porque é que eles não são felizes? Porque é que eles não sorriem?

O outono chegou e o frio veio junto com ele. Foi aí que um venezuelano ciclista no trem me explicou que na Europa as pessoas ficaram frias junto com o frio. Talvez seja essa a melhor explicação.

E foi por isso que apesar de todos os pesares brasileiros eu resolvi que o melhor mesmo é seguir a bandeira que vi hasteada no centrão de Copenhagen.


Já estou de volta, em casa.

Um comentário:

  1. seja bem vinda novamente a sua terra, cinza, caótica, imperfeita, mas cheia de pessoas felizes, sorridentes, comunicativas e "quentes"!

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