
Ele chegou como um grande amigo e companheiro.
Nos conhecemos no Pedala Vai Vai. Batizamos as nossas bicicletas no mesmo dia e eu morri de rir do nome da bike dele: Kiabin! Ele ainda devorou o bolo de cenoura esfarelado que eu levei no piquenique no Parque da Juventude.
Na mesma semana ele me contou que tinha se candidatado a uma vaga no mesmo lugar onde eu trabalho e um pouquinho depois confirmou que estava indo trabalhar lá. Fiquei super feliz: uma bike a mais no bicicletário e um amigo ciclista para compartilhar o dia a dia ciclourbano!
Daí começou uma amizade regada a pedaladas, almoços, cervejas, sambas, Chico Buarque, feira de flores do Ceagesp, pastel de queijo repolho e gengibre, planos para o Caminho da Fé e outras cicloaventuras. De repente, quando vi, eu e ele já éramos nós e ficou impossível planejar qualquer coisa sem pensar em nós dois juntos vivendo aquilo.
E nós vivemos! Vivemos momentos incríveis, únicos e inesquecíceis. Pedaladas simples para achar uma pracinha escondida no meio da Paulicéia Desvairada, pedaladas intensas para chegar a uma cachoeira, pedaladas constantes para vivenciar mais uma cicloviagem... E de pedaladas em pedaladas, em pouco tempo nós já tínhamos uma história linda.
No meio dessa história tinha uma outra cicloviagem: a Alemanha, que foi a viagem que planejei no momento mais solitário que já passei. Não aquela solidão triste. Mas, aqueles momentos em que a gente precisa estar só para se conhecer melhor. E achei que fazer essa viagem sozinha seria uma baita experiência minha comigo mesma - e a bicicleta, claro! Só que depois que eu e ele viramos nós, ele já fazia parte de tudo, inclusive dos preparativos e planos dessa viagem. Mesmo sabendo que ele não estaria comigo lá, eu, de algum jeito, queria que ele fizesse parte de tudo, mesmo estando longe.
E quando faltavam só três semanas para a viagem e eu já trabalha a idéia de ficarmos um mês dividindo os nossos momentos à distância, eis que recebo a doce surpresa: "eu vou junto!". Mais uma vez eu e ele seremos nós: nós dois juntos na Alemanha, pedalando e colecionando mais quilometragens na nossa história.
Agora tudo está completo. Eu, a bicicleta, a viagem dos sonhos e ele - a pessoa mais linda e companheira que já conheci nos últimos 3.500 quilometros que pedalei desde o Pedala Vai Vai.